Casos Clínicos

Caso Nº 13

Caso Clínico #15

Local: CURITIBA
Mês / Ano: Novembro/2019

Assuntos relacionados: Hematologia

Quadro Clínico

Homem, 35 anos foi ao médico por queixa de fadiga. Foi tratado recentemente por doença respiratória.

 

Solicitado Hemograma e contagem de reticulócitos

Com base nos dados clínicos e laboratoriais, propomos as seguintes questões para discussão do caso:

 

1) Qual o tipo de anemia?

2) Quais as causas?

3) Quais os exames que devem ser feitos para confirmar o diagnóstico laboratorial?

Referências Bibliográficas

1. SILVA, P. H.; ALVES, H.B.; COMAR, S.R.; HENNEBERG, R.; MERLIN, J.C.; STINGHEN, S.T. Hematologia Laboratorial teoria e procedimentos. Porto Alegre, Artmed, 2016.

2. PILONETTO, M. & PILONETTO, D.V. Manual de procedimentos laboratoriais em Microbiologia. Curitiba, Ed. Microscience, 1998.

3. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Manual do Laboratório. Curitiba, Hospital de Clínicas, 1990.

4. MAHON, C.R. & MANUSELIS Jr., G. Textbook of Diagnostic Microbiology. Philadelphia, W.B. Saunders Company, 1995.

5. NATIONAL COMMITTEE FOR CLINICAL LABORATORY STANDARDS. Performance Standards for Antimicrobial Disk Susceptibility Tests. Approved standard M2-A7. Wayne, NCCLS, 2000.

6. KONEMAN, E.W. et al. Color Atlas and Textbook of Diagnostic Microbiology. 5th Ed. Philadelphia, Lippincott, 1997.

7. MURRAY, P.R. Manual of Clinical Microbiology. 7th Ed. Washington, ASM Press, 1999.

8. OPLUSTIL, C.P.; ZOCCOLI, C.M.; TOBOUTI, N.R.; SINTO, S.I. Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica. São Paulo, Sarvier, 2000.

9. FORBES, B.A.; SAHM, D.F.; WEISSFELD, A.S. Bailey & Scott's Diagnostic Microbiology. 10th ed. Mosby, St. Louis, MO, 1998.

Dados Laboratoriais

Eritrograma
Eritrócitos:……………...1.700.000/uL
Hemoglobina:………….5,2 g/dL
Hematócrito:…………...14%
VCM:……………………82,3fL
HCM:……………………30,5pg
CHCM:………………….37,1%
Poiquilocitose:…………++
Esferócitos:…………….++

Contagem de Reticulócitos:….22%

Respostas da discussão

Pelo valor da hemoglobina a anemia é intensa.

A classificação morofológica (VCM = 82,3 fL, HCM = 30,5 pg e CHCM = 37,1 %) é de uma anemia normocítica e normocrômica. O que chama a atenção é o valor do CHCM.

A classificação fisiológica fala a favor de uma anemia hemolítica pela contagem de reticulócitos.

O diagnóstico laboratorial desta anemia é de uma anemia normocítica e normocrômica hemolítica.

As doenças que estão neste tipo de anemia são as deficiências de membrana (esferocitose, eliptocitose, estomatocitose, acantocitose e piropoiquilocitose), hemoglobinopatias (anemia falciforme e hemoglobinopatia C), doenças enzimáticas (deficiência de G-6-PD e piruvatoquinase), hemoglobinúria paroxística noturna, hemoglobinas instáveis, anemias hemolíticas autoimunes e causas adquiridas.

Nesta situação é extremamente importante o tipo de alteração morfológica presente na extensão sanguínea. A presença de esferócitos pode ser indicativo de uma esferocitose hereditária. A presença de esferócitos aumenta o CHCM. O esferócito não é exclusivo da esferocitose hereditária e está presente nas anemias hemolíticas. Um exame que deve ser realizado é o teste de Coombs direto, que será positivo para as anemias de causa imunológica.

Para o diagnóstico definitivo deve ser feita a eletroforese de proteínas de membrana que detecta e quantifica a proteína deficiente, no caso a deficiência pode ser de anquirina, beta-espectrina, alfa-espectrina ou proteína 4.2. A eletroforese de proteína de membrana não é um exame feito de rotina pelos laboratórios. O diagnóstico definitivo é feito, além dos achados hematológicos, pela clínica do paciente (principalmente em relação a frequência de crises de hemólise), pela história familiar e pelo quadro clínico que o paciente apresenta.